Luiza Agostinho Pena
Estava eu, andando por um desses parques aí, quando vi um pequeno aglomerado de crianças em volta de um senhor (que me parecia um doce velhinho), prestando muita atenção no que o mesmo dizia.
Não sei por quê, aquilo me chamou a atenção, e fui ver do que se tratava. O senhor contava uma história sobre uma zebra...
Dizia ele, que onde ele morava, tinha de muitos animais, cavalos, veados, vacas, tudo quanto é bicho que você imaginar. Mas que, em especial, havia uma zebra que havia acabado de dar a luz. Uma linda zebrinha, que mal nasceu e já estava tentando ficar de pé.
Ele já havia visto muitas cenas de nascimentos, mas que aquela, em especial, lhe chamou a atenção. E presenciou o momento até "as duas" estarem bem.
Voltando para sua casa, ele pensou: "por que será que os filhotes de equínos sempre tentam ficar de pé? Logo ao nascer?"
Ficava impressionado com a força de vontade que os pequenos animais tinham. Tão pequenos e singelos, que por um ato de instinto, ficam de pé pela primeira vez. Não é lindo?
Mas esqueceu daquela história e foi para seus aposentos.
No outro dia, passou pelo mesmo caminho, só para ver a zebrinha, observava seu crescimento, seus passos, sua vida. Até que depois de 2 anos, ela não estava mais lá.
Foi perguntar a algum empregado da tal fazenda, o que houve com a zebrinha. O empregado disse que levaram a mãe e cria para um zoológico na cidade, pois não era dentro da lei tratar de animais como zebras numa fazenda.
Ele ficou meio pasmo, talvez por susto, nem dera para se despedir da "amiga", pensou: "um dia vou nesse tal zoológico para vistá-la". E assim se conformou.
Passou-se 1 ano e meio, e o bom velho teria que ir à cidade, para vender algumas hortaliças que sobrara das vendas na fazenda. Assim foi, e ao acbar seu trabalho, lembrou da zebra. Então resolveu que iria ao zoológico vê-la.
Chegou bem no momento, a pequena zebrinha (que não era mais pequena assim), estava pronta a dar a luz a uma cria. E ele chegara bem no momento (seria coincidência? Já era a segunda vez que isso lhe acontecia), viu todas as etapas do parto, e assim, nasceu sua amada cria.
Estava estupendo! Incrivelmente alegre! Parecia mais emocionado quando na vez anterior. Lembrou-se da zebrinha tentando dar seus primeiros passos, e aguardou que o filhote fizesse o mesmo.
Mas, ele não o fêz. Ficou deitado no chão, sem nenhum estímulo para se levantar. O senhor ficou na espectatíva de pelo menos uma tentativa, mas fora em vão. A pequena cria ficou parada.
Não se conformou, por que a zebrinha não se levantava? Por que?
Foi então que a zebrinha, esparramada no chão, encurvou sua cabeça e encarou-o, com um olhar penetrante que lhe deu todas as respostas.
Nascera a tal zebrinha, num quarto fechado, com vários veterinários e etc. Onde estava o ar puro, o verde em volta, o céu azul? A primeira insprada de ar que daste para conhecer o mundo? Pois é, a zebra deu esta "inspirada de ar", e o mundo que ela conheçeu foi outro, que não lhe deu nenhum estímulo para levantar.
O velho começou a sentir um forte aperto no peito, e então, resolveu construir estímulos para as pessoas.
E hoje o tal velho estava lá, no tal parque onde eu caminhava naquela manhã, o parque que ele próprio criou, o parque que ainda tinha o céu azul, o verde e o ar puro, que lhe dava estímulo para contar suas histórias, e principalmente ser feliz
domingo, 14 de setembro de 2008
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